domingo, 8 de novembro de 2009

Folheto "informatus pombium supersticius" para antes de uma sexta feira treze

Quando é sexta-feira treze você tem medo de passar por debaixo de uma escada; não pode deixar o sal tombar que se desespera, nem usa o espelho que é para não correr o risco dele quebrar e os anos de azar caírem sobre a sua cabeça, evita sair de casa para não cruzar com um gato preto? Parabéns, você é uma pessoa supersticiosa , está se sentindo um ser humano sozinho e medroso? Acalme-se, pois as pombas também são de ter esse tipo de neurose!
A notícia não é lá das mais recentes, na verdade, antes da década de noventa, já se sabia da superstição pombalina, opa confundi com história, superstição das pombas. Como fizeram para descobrir? Que tipo de ser humano faz uma descoberta dessa e continua no anonimato? É, senhoras e senhores, eis os mistérios da ciência.
De fato, não é que a pomba não passa debaixo da escada, nem nada disso. O que acontece é que se tem um bicho que sabe das coisas, esse bicho é a pomba. Deixe-me parar de fazer suspense, você já deve estar borbulhando, orgasmando, quase fechando essa janela para saber como descobriram...
Foram psicólogos que descobriram o comportamento supersticioso da pomba. Como? A chave dos problemas não é o diálogo? Então os psicólogos conversaram com as pombinhas e elas contaram tudo que lhes afligia. Mentira, na verdade, foram os behavioristas, seguidores de Skinner, que descobriram esse comportamento das pombas.
Convenhamos, quando se está com muita fome, starving de fome, a maior felicidade é quando lhe dão seu prato predileto, é ou não é? Com as pombas é a mesma coisa, só que, no caso delas, é quando dão alpiste. Pois bem, os behavioristas deixavam as pombas sentirem fome, ficar desesperadas, zanzando pra lá e pra cá na jaula, até que uma pombinha , num dos maiores momentos epifano-behaviorista- comportamental- ativo da sua vida, resolveu dar uma volta completa em torno do seu eixo, depois desse período de rotação (calculado pela formula...tô brincando), um psicólogo serviu o alpiste.
No dia seguinte, a mesma coisa: vamos matar as pombinhas de fome? Sim! Quando elas começaram a ficar famintas, uma começou a girar em torno do seu eixo na esperança de que aquele rito rotacional trouxesse a comida para ela. Idiota essa bomba? Pois fique sabendo que ela conseguiu o delicioso alpiste que só os melhores laboratórios de psicologia avançada com pombas têm. Então, fica na sua, porque os indígenas faziam a dança da chuva. Então, elas [as pombas] são tão supersticiosas quanto os índios. E eu não vou admitir que você fale mal das pombinhas, só porque elas tem superstição... comigo é assim!
Todo esse texto, porque, nessa semana, uma sexta feira treze está chegando. Boa sorte!

sábado, 10 de outubro de 2009

No escurinho do cinema

Para tudo se tem uma resposta, no caso aqui, uma réplica. Estou falando daquela velha história de que “homem é tudo igual, mesm!”( sem o “o” para dar a marca da oralidade enfurecida feminina). É, menina, homem não é tudo igual não e eu vou contar uma história, que você não sabe se é estória ou não, mas acredite, aconteceu na incerta certa.

A Lua já havia aparecido, quando eu cheguei ao shopping, procurando por uma bela moça morena de belos olhos azuis para irmos assistir a um bom filme. Como sou uma pessoa gentil, deixei-a escolher, ela optou por uma drama romântico, para mim tudo bem, afinal, estando bem acompanhado, todo filme fica bom.

Entrando na sala vazia, nos acomodamos em nossas poltroninhas – nada anatômicas caso o filme não fosse bom – e comportadamente, como um casalzinho, ficamos esperando o início da sessão, começou a chegar gente...

Pai, mãe e filha; um casal, que devia ser estável; e, o melhor da noite, quatro rapazes... aparentemente heterossexuais, quatro rapazes desacompanhados, às nove da noite, foram ver um drama romântico e eram aparentemente heterossexuais.

Fico falando aparentemente, porque, convenhamos, quatro rapazes, aos 12 ou 13 ou 14, quem sabe 15, para irem num drama romântico, às nove da noite, desacompanhados, ou deviam ser muito fãs do Dustin Hoffman, ou fortes candidatos a homossexualidade, querendo se descobrir numa salinha de cinema.

O filme começou e eu não lembrei de olhar para os quatro, como disse estava bem acompanhado; e para que acabar com o segredinho deles?

Desculpem-me, acabei de reler o texto. Fui extremamente preconceituoso, ditador, obeso, inoportuno e gorduroso. Mas, falar que você não pensaria a mesma coisa é cometer um equívoco.

domingo, 13 de setembro de 2009

O que andam falando na escola

A vida é boa?

Não.

Sylvinho


A vida é boa?

Cara, para você entender a vida, você tem que entender...

Márcio


A vida é boa?

Disso você pode ter certeza.

Wladimir


A vida é boa?

No mais tudo bem.

Fernanda


A vida é boa?

Olha para vida, olha para mim e chora.

Marcelo


A vida é boa?

É cheia de tiruli tirulá

Cogu


A vida é boa?

Vai ter cerveja?

Gelfuso


A vida é boa?

No bom sentido, é claro.

Ricardo


A vida é boa?

Foi um prazer estar com vocês na manhã de hoje.

João Lucas


A vida é boa?

Então ele pegou o pão, deu graças e o partiu dizendo...

Roma


A vida é boa?

Tem que ter o start de começar.

Fredão


A vida é boa?

Meus queridos, como bem disse Robert Strudell, no que tange notadamente a vida...

Robinson


A vida é boa?

Turma

Saito


A vida é boa?

Inclusive , eu tenho um livro muito bom: “A vida e eu”, da Edusp...

Panela


A vida é boa?

Vem cá, a culpa é minha se a vida é cheia de exceção?

Rener


A vida é boa?

Nss, muito loca essa vida.

Daniel


A vida é boa?

Ai você me pergunta: Deps, mas e o que os hidroscarboneto tem a ver com a vida?

Deps


A vida é boa?

Gervásio, escolhe uma Tenilde Sementeira para ler essa questão.

Aldo


A vida é boa?

Já acabou? É né, vida boa, a aula voa.

João César

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Sibilo

Lá do fundo, ela gritou “Ei, você, pára de digitar no teclado com a língua.”, ele deu um salto para trás, estava sozinho, não tinha ninguém por perto, só ele e o cricrilar dos grilos. “Não vai parar com essa porquice de ficar lambendo o teclado?”.

Ele começou a chorar:

“Quero sentir as palavras, dá licença?”

“Mas você é mesmo um imbecil. Com quem você pensa que está falando?”

Ele olhou em volta, lembrou-se sozinho. Aumentou a música.

“Ainda não aprendeu que não dá para cheirar o som, seu asno?” falou a moralista voz audida e não identificada, principiava aqui o desespero do rapaz.

“Pai, afasta de mim esse éter, quero sobriedade para sentir, mas, se assim não consigo, livra-me a prisão humana e devolve-me a infância.”

“Ai, agora você é o rei da ênclise, acha-se sofisticado, imbecil?”

“Você vai me deixar em paz, ou vou ter que parar minhas experiências supra-renais e procurar mais levoid?”

“Está achando que eu vejo-lhe esperto, inteligente; levoid é hormônio, você não pode abusar, quer o quê?”

“Quero uma bola laranja de borracha e um pouco de silêncio, é pedir demais?”

“A solução pro barulho pode estar na sua frente.”

Era a hora do terror. Ele deu uma profunda respirada e, na mesma velocidade do fechar eterno de seus olhos, ele tomou a arma na mão.

Não estou aqui, mas é como se estivesse.

É o fim...

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Convite a um duelo poético ou Um tabefe no orelhão do Dumbo

Vida,

Ciclo constante.

Refluxo.

Como preferia não ter gastrite!


Tem cabides pendurados

Na minha sala de jantar,

Primavera,

É o Sol chegando.


Anoitece,

Baixam suspiros cansados.

Vaga-lumes

Malditos sejam esses bichinhos brilhantes!

domingo, 26 de julho de 2009

A terrível vida de Alice

- Capítulo Segundo -

A Maldição de Bruno Brown (parte II)


Bruno Brown não gostou muito da resposta da filha e forçou-me a começar a segunda parte antes do previsto, e assim que comecei a escrever essas linhas ele me cortou e...

“Mas, Alice, você me diria se estivesse grávida. “SE”, apenas hipoteticamente falando, diria, né?”

“Pai, você sabe que eu não consigo lhe esconder nada, porque essa pergunta agora? Por um acaso pareço grávida?” – disse a nossa heroína trêmula e piscando muito além do habitual.

“Sinceramente? Parece. Aquela historia de verminose não é, porque eu lhe dei já cinco vermífugos e você continua dizendo que está com barriga d’água, você está grávida não está?”

“Nossa, pai, que assunto para a hora do jantar, até...”

“Está ou não está? Se eu descobrir depois, como aconteceu com meu camarada Johnny Strudel, eu lhe boto pra fora de casa, ouviu?”

“Está certo, papai, você venceu, eu estou grávida.”

“Eu sabia! Meu instinto me dizia, mas eu não quis ouvir, eu sempre soube que Astolf August nunca deixaria um único verme passar pela nossa família.”

Numa mudança ligeira de tom, Bruno Brown continuou:

“Quem é o energúmeno que lhe engravidou, Alice? Me fala (fala-me, como manda a gramática da professora e do aluno e do mulato sabido) Me fala agora quem foi o tarado que lhe agarrou, que eu faço o infeliz se casar com você agora, anda, Alice, fala!!!”

Alice pensou em dizer que era o mordomo que havia engravidado-a, mas pensou na desgraça que seria casar-se com Astolf August e resolveu falar a verdade, porém um espírito baixou nela, algo loiro e de voz rouca e ela proferiu as palavras:

“Estou grávida de Luís Carlos Prestes e quero ter meu filho no Brasil.”

Mentira minha, ela disse a verdade:

“Papai, estou grávida duma casquinha de sorvete.”

Surpreso com a notícia e, ao mesmo tempo, irritado com a idéia de ser avô aos quarenta e seis anos, Bruno Brown correu até a cozinha puxou o Casquinha de Chocolate pela viçosa calda e o levou ao encontro de Alice:

“Foi esse o desgraçado que lhe possuiu?”

“Foi... papai, não precisa falar como se fosse algo ruim, foi gostoso e refrescante.”

“Eu mato esse desgraçado!!!”

“Não !!! Eu o amo!”

Uma daquelas pausas dramáticas contaminou todo o recinto e eles olharam para você, leitor, e nesse instante, a cena parou e continuará numa próxima parte desse dramático capítulo.

sábado, 18 de julho de 2009

Um ensaio

Joséfa :

Amor, está na hora de terminarmos.


Roberto:

Por quê?


Joséfa:

Estou lhe traindo.


Roberto:

Não está. Só acredito vendo.


Joséfa:

Pois verá, trá-lo-ei aqui.


Roberto:

Quero que o beije na minha presença.


(Luz reduz gradativamente até se apagar e acender ao fundo do palco)

Entra Rosângelo


Rosângelo:

Oi, gatinha.


Josefa:

Rosângelo, esse é Roberto; Roberto, esse é Rosângelo.


Rosângelo:

Opa! E ai, chefia?


Roberto (expressão fechada e em fala firme e objetiva):

Prazer, sou futuro-ex-namorado da Josefa e quero que você a beije na minha frente para terminarmos.


(Josefa sorri como quem diz “duvidou, sou vadia mesmo!” e coloca a mão na nuca de Rosângelo, preparando-se para beijá-lo)


Rosângelo (se esquivando e afastando-se):

Eu hein, isso é loucura demais para mim !!! (sai de cena correndo)


Roberto:

Vês como posso confiar em ti !?!?!


Apagam-se todas as luzes.


Fim de ensaio.